10 apontamentos essenciais para visitar Praga

Praça Velha de Praga, República Checa.

Quem pense que Praga é a Paris do leste, devemos dizer que Praga não merece essa comparação pois por si só tem condições patrimoniais e turísticas para ser considerada uma das mais belas cidades europeias, ultrapassando em qualidade de vida e de experiências de visita a capital das luzes, Paris. Talvez por isso mesmo o centro histórico de Praga esteja classificado como Património Mundial desde 1992.

Situada nas margens do rio Moldava, as suas origens remontam ao sec. IX, quando se constrói o castelo de Vyšehrad, que posteriormente no sec. XVII será dotado de baluartes para melhor defender a sua posição. Contudo o povoado vai desenvolver-se na margem oposta, e será na regência do imperador Carlos IV do Sacro Império e rei da Boémia, que se edifica a famosa ponte Carlos que ligará o núcleo do castelo à hoje conhecida como Cidade Velha, zona de expansão do burgo onde se alojarão mercadores, palácios e novas igrejas que se adaptarão ao gosto barroco ao longo dos tempos seguintes.

No sec. XIX com a queda do Império Austro-Húngaro, e a expansão do nacional-socialismo, o território da Checoslováquia é invadido pelas tropas nazis, ficando no final da 2ª Guerra Mundial sobre o protetorado da URSS.

Selfie junto ao memorial da ocupação soviética.
A 20 de agosto de 1968, precisamente 50 anos antes da data da nossa visita, a cidade é invadida pelas tropas soviéticas durante a ocupação do país. O domínio soviético durou até à caída do muro de Berlim, em 1989, data em que se inicia a revolução de Veludo que levou à independência da Checoslováquia, que dois anos depois se divide em República Checa e Eslováquia.

A cidade das 100 cúpulas é um dos destinos mais concorridos da Europa, seja na época estival ou mesmo durante o inverno em que se cobre de neve. São muitos os pontos de interesse a visitar, sabores a provar ou experiências a viver em Praga, mas aqui ficam 10 apontamentos essenciais para uma visita de dois ou três dias a este sonho de pedra.

1. Ponte Carlos, o ex-líbris de Praga

Vista sobre a cidade velha desde a ponte Carlos, Praga, República Checa.

Encontrar esta ponte sem turistas é impossível, nem mesmo de madrugada! Quiçá seja este o monumento mais emblemático da cidade. Foi construída pelo rei Carlos I da Boémia e imperador do Sacro Império no sec. XIV, e ainda mantém as suas torres de proteção junto às margens. No sec. XVII/XVIII são colocadas estátuas de vários santos e personagens históricas decorando o tabuleiro da ponte. Aqui é tradição tocar o baixo-relevo de bronze no pedestal da estátua de S. João Nepoumoceno, onde se retrata precisamente o seu martírio atirado desde esta ponte, ao negar-se contar os segredos de confissão que lhe fizera a rainha!

Ponte Carlos, Praga, República Checa.

2. Mala Strana

Igreja S. Nicolau de Bari, Praga, República Checa.

Literalmente o "lado pequeno", local onde se assentaram as primeiras comunidades locais e que durante o barroco se transformou numa montra de vaidades espalhada pelas suas ruas repletas de palácios e igrejas barrocos. Destaque a igreja de S. Nicolau de Bari, obra maior do barroco na Boémia (Entrada 70CZK/2018); a igreja de N. Sra. da Vitória, que na sua génesis e primeiros anos foi edificada para acolher a comunidade luterana sendo depois transferida para a católica Ordem dos Carmelitas que desde o século XVI custodiam a imagem do Menino Jesus de Praga, de devoção internacional e que atrai peregrinos de todos os cantos do mundo (entrada gratuita); e o Palácio Wallenstein, hoje sede da Câmara Alta do Parlamento checo, foi originalmente o sonho megalómano do conde Wallenstein (sec. XVII), herói militar nacional mas que terminaria condenado à morte por traição (entrada gratuita). Outro fetiche turístico recente é o muro de Lennon, graffiti em homenagem aos Beatle.

3. Ilha de Kampa


Vista da ponte Carlos desde Kampa, Praga, República Checa.
Trata-se de uma ilha falsa, formada por um braço que abastecia o moinho Čertovka, mas é o recanto ideal para o repouso e conhecer uma zona mais tranquila de Praga que os locais usam para apanhar sol, praticar desporto ou apenas passear com os netos. O retiro de qualquer caminhante que tenha atravessado a ponte Carlos ou descido do castelo de Praga.

4. Complexo do Castelo

Catedral de S. Vito, Praga, República Checa.
Desde a sua construção no sec. IX este é o principal edifício da República Checa, aqui está sedeado o poder desde há mais de 1000 anos! Apesar de ser o local mais visitado do país alberga ainda a presidência da república! O bilhete básico de entrada (Entrada 250CZK/2018) dar-te-á direito a visitar uma serie de edifícios dentro do castelo, incluindo a basílica de S. Jorge, que apesar da sua fachada barroca esconde um templo do século X, que serviu de panteão à dinastia Přemyslida, incluindo a Sta. Ludmila, padroeira da Boémia. A catedral de S. Vito, edificada por Carlos I da Boémia, no sec. XIV, queria ser a demonstração de poder do reinado deste monarca. No seu interior destaque para a arca tumular barroca de S. João Nepomoceno, a capela tumular de S. Venceslau e os vitrais "art nouveau". O antigo palácio real, onde destaca a sala Vladislao, pelas suas dimensões e beleza das sua abobadas que seguem albergando as grandes cerimónias de estado e também o terraço onde se tem uma das mais belas vistas sobre o rio moldava e a ponte Carlos, sem deixar de passar pela janela da "defenestração" por onde se atiraram vários católicos e que será a antecâmara da Guerra dos Trinta Anos. Outro ponto de interesse no castelo é a típica rua do Ouro, outrora residências humildes, onde morou também Frank Kafka, e que hoje são uma serie de lojinhas e pequenas recriações históricas. Ahh... e segundo o livro dos recordes este é o maior castelo do mundo! Aconselhamos a subir no elétrico 22 que para diretamente na porta de entrada do recinto.

Rua do Ouro, Praga, República Checa.

5. Hradčany, o bairro do castelo

Convento do Loreto, Praga, República Checa.
Em frente à porta principal do castelo estende-se este bairro recheado de palácios barrocos misturados com tabernas e modestas moradias que lhe conferem um caráter distintivo. Em redor da praça Hradčanské estão alguns edifícios nobres como o palácio episcopal, o palácio Toscan, o palácio Schwarzenberg (museu barroco da Galeria Nacional) ou o palácio Martinic. Percorrendo o bairro há a destacar ainda o palácio Černín (sede do ministério de Negócios Estrangeiros) e o convento do Loreto (sec. XVII) que seguindo a tradição do Loreto italiano contém uma cópia da casa familiar de Maria, mãe de Jesus Cristo, um interior modesto numa caixa de externa de baixos-relevos que relatam a vida de Maria, no centro do claustro dum magnifico e rico convento barroco (Entrada 150CZK/2018). Para terminar o passeio nesta zona não deixes de beber uma cerveja no Boi Negro (U Černého Vola), uma típica cervejaria checa.

6. Staré město, a Cidade Velha

Casa Municipal e Torre da Pólvora, Praga, República Checa.
A entrada ideal neste bairro, que se constitui como o centro histórico de Praga, faz-se pela Torre da Pólvora, uma das antigas portas da muralha quinhentista da cidade que adquire este nome posteriormente à sua construção quando passou a ser usada como um dos paióis da cidade; anexa localiza-se a Casa Municipal (1912), um belíssimo exemplo de art nouveau que se edificou para ser um centro cultural, função que mantém hoje em dia, conservando todo o esplendor da decoração original. Se a opção for seguir para a praça da Cidade Velha (Staroměstské Náměstí) a opção mais direta é a rua Celetná, cheia de comércios para turistas, ainda que o mais aconselhável seja perder-se pelas labirínticas ruelas e passadiços. A praça central é o cartão-de-visita de Praga, a meia-escondida igreja de N. Sra. de Týn (sec. XIV), apelidada catedral dos mercadores, os Paços do Concelho (sec. XIV) e o ex-líbris da cidade, o relógio astronómico, um raro e belo exemplar de uma máquina medieval (sec. XV) em torno do qual se juntam os turistas às horas certas para assistir ao desfile dos apóstolos. Nesta viagem tivemos o infortúnio de estar em obras de conservação entretanto terminadas. A desculpa perfeita para regressar a Praga.
Antes de sair da praça para voltar a perder-se pelas ruas ruelas, convém espreitar a igreja de S. Nicolau (sec. XVIII).

7. Josefov, o bairro judeu

Sinagoga Velha, Praga, República Checa.

Ainda hoje a comunidade judaica checa vive maioritariamente neste bairro, que foi durante séculos a zona privilegiada ou obrigada de sua residência. O nome do bairro é o agradecimento dos judeus ao imperador José II do Sacro Império, pela liberdade religiosa por ele proclamada. Apesar de no século XIX se ter reconstruído quase por completo esta área, sobreviveram da influência judaíca o cemitério (sec. XV-XVIII), os antigos Paços do Concelho (sec. XVIII) que testemunha a independência desde bairro até à sua inclusão definitiva em 1850 na cidade, a mais antiga sinagoga do bairro data do século XIII, denominada Velha-Nova e a de maior esplendor corresponde ao período romântico, numa imitação do estilo al-andaluz, denominada Espanhola. Durante o ocupação nazi este bairro preservou-se para ser o depósito das expropriações realizadas pelo Terceiro Reich. Entrada conjunta 530CZK/2018, encerrando aos sábados.

Cemitério Judeu, Praga, República Checa.

8. Praça Venceslau e Nové Město, a Cidade Nova

Museu NAcional e estátua de S. Venceslau, Praga, República Checa.
A praça Venceslau é o "manifestodromo" checo por excelência, tratando-se de uma grande avenida que no topo fronteiro à cidade velha é rematado pelo edifício neoclássico do Museu Nacional, tendo em frente a estátua equestre do rei S. Venceslau da Boémia. Aqui se proclamou a independência checa em 1918, se fizeram desfiles militares nazis, tiveram lugar o Levantamento de 1945 ou a revolução de Veludo de 1989. Hoje em dia aqui se situam hotéis e restaurantes, bem como escritórios vários, destacando-se o Grand Hotel Europa (sec. XIX) e o antigo búnquer debaixo do hotel Jalta (Entrada 130CZK/2018 e reservas obrigatórias aqui).
Outros dos locais curiosos a conhecer é a galeria comercial e cultural Lucerna onde se encontra a outra estátua de S. Venceslau, obra de arte contemporânea do artista local David Cerny, onde o rei santo monta sobre o ventre de um cavalo suspenso pelas patas.

Casas Dançantes, Praga, República Checa.
Neste enorme bairro encontra-se outro dos essenciais de Praga, as Casas Dançantes, edifício desconstruído no qual muitos vêem Fred Astaire e Ginger Roger, numa visão particular da dupla de arquitetos Frank Ghery / Vlado Milunić. Um pouco mais acima, ainda nesta margem do rio Moldava encontra-se o Teatro Nacional (sec. XIX).
E para provar a gastronomia local e deliciar-se com a sua cerveja de produção própria existe um local com mais de 500 anos onde fazê-lo, chama-se U Fleků, dispõe de vários salões e "beer garden" e é conhecido pelo seu pernil e cerveja artesanal de 13º ou então a U Medvídků, outra cervejaria tradicional fundada em 1466 e que diz ter a cerveja mais forte do mundo!
Ainda neste bairro merece menção a escultura cinética em homenagem ao escritor checo Frank Kafka que se "metamorfea" num movimento constante ou o Jardim (quase secreto) dos Franciscanos, entalado entre galerias comerciais, e ideal para relaxar e descansar.

9. Cidadela de Vysehrad, o berço de Praga


A sua posição estratégica, num promontório sobre as margens do rio, levaram a que aqui se construísse um castelo, transformado no século XVII em fortaleza abaluartada, e hoje uma zona de relax com jardins e recheada de monumentos, como a igreja De S. Pedro e S. Paulo (sec. XI/XIX) ou rotunda de S. Martinho (sec. XI). Contudo o essencial são as vistas sobre a cidade velha e o rio Moldava.

10. Cruzeiro no rio Moldava

A bordo navegando o rio Moldava, Praga, República Checa.

Ponte Carlos vista desde o cruzeiro, Praga, República Checa.
A oferta de cruzeiros pelo rio Moldava é enorme, desde os tradicionais passeios com ou sem refeição, conhecendo desde o rio as vistas sobre as suas margens, monumentos e bairros da cidade, ao aluguer de barquinhos vários ou inclusive sobre andar sobre as águas usando uma bola zorbing. Desde a sala de concertos Rudolfinum (sec. XIX), ao pavilhão checo na Expo'58 de Bruxelas, o cruzar debaixo da ponte Carlos, conhecer o Straka Academy, sede do governo checo, ou admirar o castelo e catedral de S. Vito no alto da cidade, podem ser uma forma ideal de despedir-se desta cidade das 100 cúpulas e dos mil recantos que apaixonam qualquer viajante.

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