Visitar Trujillo, terra de conquistadores

Estátua equestre de Pizarro na Praça Mayor de Trujillo, Espanha.

Desde as terras da Extremadura, em Espanha, saíram alguns dos conquistadores e descobridores que na procura de riqueza e fama, foram traçando a silhueta do império espanhol na América. E desde Trujillo saiu e regressou em glória Francisco Pizarro, conquistador do Peru e do Império Inca, sendo a sua estátua equestre que comanda a praça da vila.

Outro dos filhos de Trujillo é Francisco de Orellana, descobridor do rio Amazonas, vice-governador de colónias nas Américas, foi acusado de traição por Pizarro, dedicou-se por tal à pirataria, acabando por ser morto por nativos caribenhos. 

A origem de Trujillo atribui-se aos romanos que a denominavam Turgalium, ocupada por visigodos e muçulmanos, aos quais se atribuí o castelo atual, sendo conquistado por Giraldo sem Pavor (1165), volta ao reino de Badajoz e será definitivamente incorporado no reino de Castela em 1232.

É em conjunto com Guadalupe ou Cáceres um destino perfeito para seguir as pegadas dos Conquistadores extremenhos.

Plaza Mayor

Palácio dos Marqueses da Conquista em Trujillo, Espanha.
Foi aqui que vivemos, há uns anos atrás, o Chíviri, uma festa pascal que junta toda a povoação em torno ao baile típico celebrando o domingo de ressurreição. Muito aconselhável! Esta praça rodeada por arcadas, recheadas de bares e restaurantes, foi edificada sobretudo no século XVI, pelas ricas famílias dos conquistadores, num esforço para manifestar a sua riqueza, rodeando a praça encontram-se o palácio dos Pizarro, também denominados dos Marqueses da Conquista, que destaca pela beleza do seu escudo em esquina; o palácio dos Duques de San Carlos, com rico portal renascentista e uma fachada à praça de quatro altura intercalando galerias e janelas; o dos Marqueses de Piedras Albas, com uma loggia de três arcos ladeado por 2 singelas janelas. Também na praça a Casa do Peso, destinada a aferir medidas, com umas curiosas colunas torsas, familiares ao nosso manuelino!

Igreja de San Martín, Trujillo, Espanha.
Detrás da estátua de Pizarro, e servindo-lhe de cenário, surge a igreja de S. Martín edificada no século  XIV e atualizada ao gosto do renascimento quando a transformam em panteão de várias famílias abastadas da vila.

Palácio Pizarro-Orellana, Trujillo, Espanha.
Merecem menção ainda outros dois palácios nas proximidades da praça, o de Pizarro-Orellana, antiga casa fortificada (sec. XIV) transformada no século XVI  com a introdução loggia e dos escudos familiares dos Pizarro e Orellana, e que se pode encontrar atravessando o arco debaixo do atual palácio de justiça; o outro edifício nobiliárquico é o palácio Marqueses de Sta. Marta, atual hotel, com primeira edificação renascentista e obras posteriores no século XVIII, à sua frente o centro de interpretação da Torre del Alfiler, assim chamada pela vara metálica que a encima e que os locais chamavam de alfinete.

Cidadela

Porta de Santiago e Torre dos Chávez, Trujillo, Espanha.
A entrada na cidadela amuralhada faz-se pela porta de Santiago, emoldurada pela alta torre do palácio dos Chávez e pela sineira da igreja de S. Tiago (sec. XIII) fundada pela Ordem de Santiago após a conquista da vila, que encontramos ao entrar na muralha e que mantém ainda a traça românica da sua origem. A principal edificação religiosa intramuros é a igreja de Sta. Maria Maior (sec. XIII), ocupando o espaço da antiga mesquita, conserva dessa primitiva construção a torre românica,  a denominada Torre Julia, enquanto o corpo do templo corresponde a uma fábrica gótica. O retábulo quinhentista da capela-mor destaca pela beleza das suas pinturas. (Entrada 2,00€/2019). O portal principal de arquivoltas góticas enfrenta o busto de Francisco de Orellana.

Busto de Francisco de Orellana, Trujillo, Espanha.

No antigo convento franciscano (sec. XV), junto à porta de Coria, está atualmente instalado um museu privado dedicado dedicado ao artesanato iberoamericano e à história do edifício, mas ainda que apenas abra aos fins-de-semana (Entrada gratuita/2019) merece a pena ver as ruínas da igreja e o claustro medieval.

Passando pelo palácio Lorenzana (sec. XVI), agora recuperado para sede da Academia das Artes e Letras da Extremadura, e pelo convento das Jerónimas (sec. XIV), artesãs doceiras, chegamos à casa natal de Francisco Pizarro (sec. XV), museu sobre este explorador e sobre as suas conquistas (Entrada 1,40€/2019).

Portal ogival em Trujillo, Espanha.
Alguns outros conventos e casas senhoriais salpicam as ruas da zona intramuros, mas é o momento de de subir até ao castelo (sec. IX/XII). Originariamente levantada pelos muçulmanos, que aproveitaram os silhares romanos preexistentes, conserva ainda no seu interior duas cisternas, a entrada no recinto faz-se por uma porta em arco ferradura ladeada por duas das 17 torres que o compõem, sobre o qual esta o nicho da padroeira de Trujillo, N. Sra. da Vitória.

Castelo de Trujillo, Espanha.


Tanque romano de Trujillo, Espanha.
Outra das curiosidades desta vila medieval é o tanque, de origem romana, trata-se de um armazém de água escavado na rocha com 14 metros de profundidade e que abasteceu a vila deste líquido ao largo dos séculos.

A nível gastronómico e vinícola há que reter três referências: a realização da feira nacional do queijo (primavera/maio), a existência de uma adega de prestigio internacional nas proximidades da vila (Adegas Habla) e um dos restaurantes mais tradicionais e curiosos de Trujillo, o "Troya", nome da fundadora e que mantém a tradição de colocar meio pão, uma saladeira e uma "tortilla de patata" apenas por te sentares na mesa do restaurante!

Uma última nota para mencionar que esta vila está na lista indicativa de Espanha para ser classificada como Património Mundial, junto a Plasencia e ao Parque Natural de Monfragüe.

Torre Julia da igreja Sta. Maria, Trujillo, Espanha.


Ruínas do Real Convento de S. Francisco de Coria em Trujillo, Espanha

Torre del Alfiler, Trujillo, Espanha.

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