Palácio Ducal de Vila Viçosa, o renascimento alentejano

Terreiro do Paço e estátua equestre de D. João IV, Vila Viçosa.

O Palácio Ducal de Vila Viçosa, considerado como o mais belo e completo palácio português, foi desde a sua génesis pensado para impressionar e transparecer a importância da família dos Bragança, duques pela graça de D. Nuno Alvares Pereira, caídos em infortúnio no reinado de D. João II, com execução pública do 3º duque de Bragança na praça do Giraldo em Évora,  e restituídos de honra e posses por D. Manuel I.

Mural da escadaria do paço com a representação de D. Jaime. Paço Ducal de Vila Viçosa.

O renovado duque, D. Jaime I, vai ser o encarregado de pensar e erguer em Vila Viçosa o palácio do Reguengo, que hoje conhecemos como Palácio Ducal, numa época em que a rica e poderosa família voltava a gozar de privilégios e era encarregada de comandar ataques e descobertas em nome da coroa.

Sala dos Tudescos, Paço Ducal de Vila Viçosa.
A visita turística ao palácio decorre sobretudo no piso nobre, tendo uma duração aproximada de 50 minutos, percorrendo as salas de aparato, quartos nobres e zonas de serviço (Entrada 7,00€/2019). Contudo o edifício alberga ainda outras coleções menos conhecidas, das quais destaca a Armaria, instalada na zona mais primitiva do palácio, além da coleção de carruagens, Tesouro ou porcelanas.

O Terreiro do Paço é uma das mais belas praças de Portugal precisamente pela simetria e ritmo que marca a fachada renascentista do palácio, cuja obra se deve a D. Teodósio I, 5º duque, que a encomenda para o casamento de sua filha Isabel com D. Duarte (1537), irmão de D. João III de Portugal. Esta obra singular do renascimento civil em Portugal está realizada e com mármores locais.

Sala das Virtudes, Paço Ducal de Vila Viçosa.
Com a proclamação de D. João II de Bragança como rei restaurador em dezembro de 1640, o palácio vai ser esvaziado do seu rico espólio, que se transfere para o palácio da Ribeira, que desaparece com o terramoto de 1755. Entretanto a casa ducal passa para a posse dos príncipes herdeiros, tornando-se em residência de caça, voltando esporadicamente sofrer melhoramentos no reinado de D. João V que aqui se estabelece para a Troca das Princesas, mandando construir nova cozinha (a dos cobres), quartos e capela, completando D. Maria I os principais trabalhos de edificação ainda hoje visíveis, como a Sala de Jantar.

Sala Dourada, Paço Ducal de Vila Viçosa.

Foram contudo os últimos reis portugueses aqueles que mais terão vivenciado o paço, sobretudo D. Carlos e sua família, que entregando o governo da pátria aos políticos, se refugia em Vila Viçosa para as suas caçadas.

Quarto D. Carlos I, Paço Ducal de Vila Viçosa.

Após o regicídio, sobe ao trono D. Manuel II, o qual após se exilar em Inglaterra após a proclamação da República, doa à sua morte os bens da sua família, incluindo o paço calipolense, a uma fundação criada para a gestão do património dos antigos Duques de Bragança, a qual segue ainda hoje a sua função, cuidando e preservando deste belo palácio.

Pátio Quinhentista do Paço Ducal de Vila Viçosa.
A coleção exposta tem sido melhorada pela aquisição de peças históricas, que completam o percurso, e adereçam as histórias do paço, sejam assassinatos por suspeitas de adultério, duquesas que preferem ser rainhas por um dia que duquesas toda a vida, ou rainhas que desesperam aguardando pela caída da segunda bota do marechal.

Jardim das Damas, Paço Ducal de Vila Viçosa.

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