Património Mundial em Portugal

Forte da Graça, Elvas.
Até há poucos anos atrás falar de Património Mundial na Europa, e em Portugal, era falar de grandes monumentos ou espaços naturais, dado que a inclusão de património imaterial na lista classificada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apenas se começa a verificar desde 2001.

Portugal aderiu a esta agência da ONU em 1980, tendo neste momento 22 bens classificados como Património Mundial nas suas várias vertentes: património cultural, património natural e património imaterial.

As primeiras classificações dão-se em 1983 quando se classificam simultaneamente 4 bens culturais, sendo o último bem classificado os Bonecos de Estremoz, como património imaterial, em 2017.

Zona central da cidade de Angra do Heroísmo (1983)

A classificação desta cidade insular surgiu três anos depois de um terramoto que alertou para a sua preservação e restauro. Como bem cultural da humanidade representa o porto de escala atlântico na união entre a Europa, África e as Américas, incluindo o seu centro histórico, as fortificações setecentistas e a zona vulcânica do Monte Brasil.

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Lisboa (1983)

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Pormenor do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa.
Estes dois bens culturais representam a epopeia dos descobrimentos portugueses que deram novos mundos ao mundo, representando o contributo luso na expansão ultramarina representada pela expressão manuelina no mosteiro e na torre que protegia a entrada do porto de Lisboa.

Mosteiro da Batalha (1983)

D. João I manda erguer este mosteiro como comemoração da vitória lusa sobre as forças castelhanas na Batalha de Aljubarrota, tornando-se num símbolo da nacionalidade portuguesa e uma das obras-primas da arquitetura gótica europeia.

Convento de Cristo, Tomar (1983)

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Pormenores da charola do Convento de Cristo, Tomar.
No interior do castelo de Tomar, este convento serviu de sede aos templários e é simultaneamente um dos bens culturais essenciais para entender o estilo manuelino. Desde a construção das suas muralhas, em 1160, para albergar a sede dos Templários, entretanto transformados em Ordem de Cristo, até às Cortes de Tomar, onde os Felipes espanhóis assumiram a coroa lusa, e posterior uso como hospital militar, tudo neste bem é uma sucessão artistica e representaiva da história lusa.


Centro Histórico de Évora (1986)

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Pátio do Paço S. Miguel, Évora.

Exemplo de cidade portuguesa medieval, com origens na ocupação romana no sec. II a.c, e que serviu de exemplo para a construção das urbes do mundo português no ultramar desde o oriente até ao Brasil. No cimo da sua acrópole, em redor do templo romano, até ao palácio real na cerca do antigo convento de S. Francisco, esta cidade-museu representa a evolução cultural do homem ao longo dos séculos.


Mosteiro de Alcobaça (1989)

Considerado um exemplo do gótico cisterciense, a magnitude das suas dimensões, aliada ao refinamento dos materiais e decoração, marcam este contentor que alberga os túmulos dos responsáveis pela mais bela história de amor do Portugal romântico, Pedro e Inês, bem como uma cozinha oitocentista que alia uma peculiar forma de introduzir o uso da água nas suas instalações.

Paisagem Cultural de Sintra (1995)

Quando D. Fernando II imaginou o palácio da Pena, juntou nele toda a inspiração romântica concentrando várias influências arquitetónicas transformando as encostas do monte no centro do romantismo europeu, onde entre uma mata de espécies autóctones e exóticas se instalaram outros palácios românticos de nobres e burgueses nacionais e estrangeiros.

Centro Histórico do Porto (1996)

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Palácio da Bolsa, Porto.
Debruçado sobre o rio Douro, o centro histórico do Porto, a ponte Luis I e a serra do Pilar, são um exemplo como o homem ao longo dos séculos soube erguer neste local um aglomerado que alia a simplicidade das moradas dos estivadores à altivez da catedral e seu palácio episcopal ou à demonstração de poder do palácio da Bolsa, vizinho do rico convento franciscano.


Sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa (1998)

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Gravura rupestre de Foz Côa.
A descoberta destas gravuras ao ar livre mudou por completo o entendimento sobre a arte rupestre a nível mundial dado a novidade da sua localização, a céu aberto, e da concentração ali registada, que depois se veio a confirmar se estende também ao lado espanhol (2010), tornando este bem numa classificação transfronteiriça.

Floresta Laurisilva da Madeira (1999)

Este é o único património natural que Portugal incorporou à lista de bens da UNESCO, e que representa a ancestral floresta que cobria o sudoeste europeu. O bosque madeirense conserva na perfeição a vegetação, sendo uma reserva da diversidade biológica do que foi a Europa, albergando espécies vegetais e animais únicas.

Centro Histórico de Guimarães (2001)

Aqui nasceu Portugal e aqui se conserva a esseência de uma cidade medieval e a sua transformação numa urbe quinhentista que se foi revestindo de edificações ao longo dos séculos sem perder a sua identidade e alma mater da lusitânia pátria.

Região Vinhateira do Alto Douro (2001)

Esta foi a primeira região no mundo a ter uma demarcação, que especificava onde se podiam produzir uvas que depois são transformadas em vinho, Vinho do Porto. O homem ao largo dos séculos transformou as encostas que miram o rio Douro e seus afluentes, numa paisagem que a UNESCO acredita representa o esforço do homem em adaptar-se às condições naturais e como se estas se transformaram ao longo dos tempos.

Vinha da Ilha do Pico (2004)

Outra paisagem transformada pelo homem para a produção de vinho é a ilha do Pico, que aproveita e molda o terreno para a cultura da vinha desde o sec. XV, criando uma das mais belas paisagens vinícolas do mundo pintada de negro e verde.

Fado, canção popular urbana de Portugal (2011)

Mural de Amália Rodrigues, Lisboa.
Se dizemos que a palavra saudade apenas tem significado em português, a música que lhe dá corpo, o fado, tornou-se universal com o reconhecimento que a UNESCO lhe outorga como património imaterial da Humanidade, e que na sua cadência chega aos ouvidos e corações de quem a escuta.

Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações (2012)

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Muralha seiscentista de Elvas.
A maior fortificação abaluartada de fosso seco do mundo e o melhor exemplo da arte de fortificar da primeira escola holandesa, Elvas é considerada pela UNESCO como um exemplo da resistência de um pequeno estado europeu pela sua autonomia. Mas é muito mais que apenas e só muralhas, fortes e castelos, é uma cidade inteira ao serviço do esforço e da independência de Portugal.

Universidade de Coimbra - Alta e Sofia (2013)

Símbolo da língua e cultura lusófona, a mais antiga instituição universitária portuguesa é reconhecida como um bastião da ciência, leis e artes na expansão do mundo português, representado por um conjunto de edifícios, que ocupando o antigo Paço Real adaptados ao longo dos séculos nesta catedral do saber, transformando também a cidade, o país e o "império" português.

Dieta Mediterrânica (2013)

Muito mais que um prato cheio de comida esta classificação reconhece um conjunto de conhecimentos, competências práticas, rituais, tradições e símbolos relacionados com o cultivo e colheitas agrícolas, pesca e criação de animais, bem como a forma de conservar, transformar, cozinhar, partilhar e consumir os alimentos. O ato de comer em conjunto é um dos fundamentos dos países da bacia mediterránica, que em conjunto com Portugal inscreveram a dieta na lista UNESCO.

Cante Alentejano (2014)

Monumento ao cante em Monsaraz.
Alma de um povo simples, exteriorizado nas vozes polifónicas de grupos de homens e mulheres que nos seus afazeres quotidianos entoavam hinos aos amores, natureza e costumes da vida no Alentejo. Hoje a sua preservação é um ato de partilha intergeracional que fortalece a coesão social das comunidades e uma das mais belas corais europeias e mundiais.

Fabrico de chocalhos (2015)

Paisagem sonora do Alentejo, este instrumento permitia ao pastor conhecer a localização dos rebanhos. A arte do seu fabrico, usando folha de metal martelado com um badalo de madeira, produz chocalhos com um som único para cada um deles. O seu maior centro de produção é a vila de Alcáçovas no Alentejo.

Fabrico de barro preto de Bisalhães (2016)

O segredo está na sua cozedura que lhe dá umas características únicas e a cor a estas peças de barro utilitário e decorativo que mantêm viva uma tradição transmitida familiarmente e que está em perigo de desaparecimento.

Falcoaria, património humano vivo (2016)

Em conjunto com outros 18 países, Portugal viu reconhecida esta ancestral arte de caça que evoluiu para uma atividade lúdica e social entorno às aves de rapinas mantidas em cativeiro.

Bonecos de Estremoz (2017)

Atelier das irmãs Flores, Estremoz.
O fabrico destes bonecos de barro, cuja tradição remonta ao sec. XVII, é o primeiro figurado do mundo em receber tal distinção. "A Primavera", "O amor é cego", presépios e figuras populares nos seus afazeres diários são a temática que reproduzem os artesãos de Estremoz, com a arte das suas mãos.


Além destes bens já classificados Portugal apresentou uma lista de outros sítios que gostaria de ver classificados como Património Mundial, e para os quais prepara as suas candidaturas, a saber:

  • Aqueduto das Águas Livres 
  • Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela
  • Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros (extensão) 
  • Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Tróia 
  • Conjunto de Obras Arquitetónicas de Álvaro Siza em Portugal 
  • Costa Sudoeste 
  • Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace-Hotel no Buçaco 
  • Dorsal Médio-Atlântica 
  • Edifício-sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa 
  • Fortalezas Abaluartadas da Raia 
  • Icnitos de Dinossáurios da Península Ibérica 
  • Ilhas Selvagens 
  • Levadas da Madeira 
  • Lisboa Histórica, Cidade Global 
  • Lisboa Pombalina 
  • Lugares de Globalização 
  • Mértola 
  • Montado, Paisagem Cultural 
  • Palácio e Tapada Nacionais de Mafra e Jardim do Cerco 
  • Rota de Magalhães. Primeira à volta do Mundo 
  • Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga 
  • Vila Viçosa, Vila ducal renascentista
  • Festividades Invernais, Carnaval de Podence

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