Que visitar em Sevilha em 2 dias

Torre do Ouro, Sevilha, Espanha.
Sevilha, capital da Andaluzia (Espanha), a pouco mais de 200 kms desde o Algarve ou desde a fronteira do Caia, Elvas, é para mim a cidade mais bonita de Espanha, pois alia a riqueza patrimonial, a simpatia das suas gentes, a gastronomia, o ambiente de festa e as suas tradições, num conjunto que se pode facilmente visitar num dia (o essencial) ou num fim de semana.

A cidade, de quase 700.000 habitantes, divide-se em vários bairros, alguns deles imprescindíveis numa visita, quase todos no interior das suas muralhas almóadas. Com a realização da Expo'92, em Sevilha, esta ganhou um novo fulgor, não só pela regeneração da ilha da Cartuja, mas sobretudo pela visibilidade internacional que ganhou desde esse ano.

Deixo-te uma lista das 10 coisas imprescindíveis que não devem faltar num fim de semana a Sevilha.

1. Parque Maria Luisa e praça de Espanha

Praça de Espanha, Sevilha, Espanha.
Este é o grande parque da cidade, e com os seus 34 hectares, é ideal para passear e iniciar o percurso pela cidade. Este espaço foi doado por Maria Luisa de Borbon, infanta de Espanha e imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, à cidade de Sevilha em 1893, tornando-se em 1929 no centro da Exposição Iberoamericana. Foi nessa época que se construiu a praça de Espanha, um dos espaços mais fotografados de Sevilha, bem como os pavilhões dos países participantes, dos quais ainda sobrevivem alguns, como a casa de Portugal.

2. Torre do Ouro e rio Guadalquivir

Torre da Prata, Sevilha, Espanha.
O rio Gualdaquivir serviu desde sempre como ligação de Sevilha com o mundo, primeiro com os romanos, depois muçulmanos e durante a época dos descobrimentos foi o grande porto de onde partiam e chegavam os navios a caminho das Américas. A Torre do Ouro, é uma torre defensiva, que se ligava ao Alcázar através de uma linha de muralha, passando pelo bairro do Arenal, e pela Torre da Prata (mais escondida e desconhecida). É precisamente deste ponto que podes iniciar um cruzeiro conhecendo a cidade desde o rio, com as várias companhias que aqui operam.

3. Bairro de Triana

Rio Guadalquivir e bairro de Triana, Sevilha, Espanha.
Fora do centro histórico, e acessível pela ponte homónima, este é um dos bairros mais característicos de Sevilha. Berço do Flamenco, aqui nasceram ou se fizeram famosos muitos dos cantores e "danzaores" desta arte musical e de baile, que foi declarada Património Imaterial da Humanidade em 2010. Ao longo da margem decorre a rua Betis, ideal para tomar um refresco enquanto se pode admirar a beleza do centro histórico refletido nas águas do rio Guadalquivir. Aqui podes voltar à noite para assistir a um espetáculo de flamenco num dos "tablaos" existentes.

4. Catedral, Giralda, Arquivo de Índias e Real Alcázar

Porta do Leão do Real Alcázar de Sevilha, Espanha.
Este conjunto foi declarado Património Mundial pela UNESCO, em 1987, e mesmo que estejas um fim de semana alargado não vais ter tempo para visitar o interior destes três monumentos e completar esta lista, assim que há que escolher. A catedral, a maior igreja gótica da Europa, construída sobre a antiga mesquita, e da qual chegaram aos nossos dias o pátio das laranjeiras e o minarete, transformado em campanário e conhecido como a Giralda, referindo-se à estátua de bronze (sec. XVI) que a coroa representando a Fé (Entrada 9,00€, inclui também a igreja do Salvador / 2017). O Arquivo de Índias foi criado pelo rei Carlos III de Espanha, em 1785, para reunir toda a documentação referente ao descobrimento e comércio das Américas sendo um centro documental de importância mundial. A visita ao Real Alcázar, de fundação almóada e com a reconquista cristã se transformou em palácio real, função que detém até hoje. faz-se através da porta do Leão (Entrada 9,50€ / 2017) ou gratuitamente podes aceder ao pátio das Bandeiras, pertencente ao complexo.

5. Bairro de Santa Cruz e muralhas

Rua da Judiaria e muralha almóada de Sevilha, Espanha.
Partindo do Real Alcázar, a muralha almóada, que se desenvolve-se ao redor do centro histórico de Sevilha, mistura-se com o labbirito de ruas e ruelas da antiga judiaria, num percurso que decorre pelo interior do bairro de Santa Cruz. Este bairro era a antiga judiaria medieval, que funcionou desde a conquista cristã até à expulsão dos judeus em 1483, foi a segunda em importância na Espanha medieval. No sec. XIX foi recuperado o bairro, sendo hoje um local de lojas de recordações e restaurantes cheio de turistas. Não deixes de passar pelo "callejon del água" e pela praça de Santa Cruz!

6. Tapas

A "tapa" estrela espanhola, a tortilha, Sevilha, Espanha.
Em português diz-se petiscos, mas em Espanha são uma forma de culto para comer de forma rápida nos bares, e que ultimamente se transformaram em verdadeiras obras de arte culinária. Em Sevilha podes encontrar várias zonas para degustá-las, desde os bares mais tradicionais aos espaços mais "trending". O bairro de Santa Cruz, a Alameda de Hércules ou a praça do Salvador são espaços com muita oferta de "tapas". Outro petisco imperdível são as frituras de peixe. Ao longo de todo o centro vais encontrar "freidurías" que mais não são que restaurantes/bares apenas dedicados a fritar peixe!

7. Bairro de Alfalfa e igreja do Salvador

A praça do Salvador, que terá sido um fórum romano, é hoje um dos locais de eleição dos sevilhanos para tomar uma cerveja e um petisco à hora de almoço. Preside a praça a igreja do Salvador (sec. XVII), recuperada em 2008, e que é hoje um exemplo maior do estilo barroco andaluz. Neste bairro localizam-se as principais ruas comerciais da cidade, rua Sierpes, rua Sagasta e rua Tetuan, bem como a Casa de  Pilatos (sec. XV/XVI), exemplo de um palácio sevilhano, e os Paços do Concelho (sec. XVI).

8. "Las Setas" 

"Las Setas" de Sevilha, Espanha.
Oficialmente denominado Metropol Parasol, que os sevilhanos rapidamente lhe transformaram o nome em "setas" (cogumelos), situa-se na praça da Encarnación, sendo outro ponto turístico de Sevilha. É o resultado do projeto de regeneração desta praça, que foi concebido pelo arquiteto alemão Mayer, que idealizou uma estrutura de 26 metros de altura de madeira, de forma a criar zonas de sombra contra o sol cálido do verão andaluz. Antes de subir ao miradouro no cimo da estrutura (Entrada 3,00€ com direito a uma bebida - 2017) vale a pena entrar no mercado que lhe serve de base e também no Antiquarium, zona da escavação arqueológica musealizada da época romana (Entrada 2,00€ - 2017).

9. Procissões e Semana Santa

Beija-pé ao Cristo da Coroação das espinhas, Sevilha, Espanha.
Esta é uma das festas mais importantes da cidade, em conjunto com a Feira de Abril. Mas no caso da Semana Santa merece um capítulo à parte. Trata-se de uma expressão de fé, mas sobretudo cultural e folclórica. Além das mais de 60 procissões que saem durante a Semana Santa em Sevilha, ao longo de todo o ano há todo um conjunto de atos em redor das confrarias, quer sejam beija-mãos; triduos,  e outras procissões nas quais podes observar todo o ambiente que envolve estes atos, a riqueza dos seus andores e outros materiais e o fulgor que os rodeia. Para saber o que acontece neste âmbito no dia que visitas Sevilha podes consultar o aqui.

10. Alameda de Hércules e basílica da Macarena

Av. da Constituição, Sevilha, Espanha.
A Alameda de Hércules, que em tempos idos foi um braço do rio Guadalquivir, que entrava muralhas adentro da cidade, é hoje o centro mais cosmopolita, alternativo, de diversidade e cultura urbana da capital hispalense. Rodeada de bares, restaurantes e discotecas pode ser o local ideal para terminar um dos dias de visita a Sevilha. O nome de Hércules provém da historia mitológica que teria sido este o fundador da cidade, razão pela qual aqui se encontram duas colunas romanas, às quais se acrescentam no sec. XVI as estátuas de Hércules e de Júlio César. Saindo desta alameda, e percorrendo a rua Feria, chega-se à porta da Macarena, frente à qual se ergue o palácio do parlamento regional e junto à porta da muralha a pequena basílica da Macarena (sec. XX), local de culto e peregrinação mariano.

E pronto está tudo visto em Sevilha... Não! Há muito mais que descobrir e viver nesta cidade... Tanto mais que ali dizem que Sevilha tem uma cor especial e cheira a laranjeiras!

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